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Bola de Ouro muda regras e discrimina metade do mundo do futebol

Prestigiada premiação altera algumas regras para melhor, mas comete um erro grotesco: considerar que metade do mundo do futebol no masculino e 75% no feminino não têm conhecimento para opinar sobre o esporte mais popular do planeta

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Duas mudanças trazem grandes problemas para a Bola de Ouro

Duas mudanças trazem grandes problemas para a Bola de Ouro

A France Football, prestigiada publicação frances sobre futebol, que organiza o prêmio mais importante da modalidade no planeta, anunciou nesta sexta-feira quatro mudanças nas regras da premiação. Uma delas chamou muito a minha atenção por ser totalmente discriminatória e remar contra a inclusão em que o futebol tem caminhado nas últimas duas décadas. A partir deste ano, somente votantes dos 100 países melhores colocados no ranking masculino da Fifa e 50 do ranking feminino terão suas opiniões computadas para os prêmios dados pela revista. Uma decisão grotesca.

Só um pensamento elitista e discriminatório achar razoável tirar 110 países da possibilidade de votar no melhor jogador da temporada e 126 países de escolher a melhor jogadora da temporada. Quem foi o gênio que teve essa ideia segregadora e preconceituosa de que um jornalista da Índia (fora da votação no masculino e no feminino), por exemplo, não tem conhecimento para dar um voto "qualificado". Isso é inaceitável! Se a France Football tivesse o mínimo de vergonha, voltaria atrás rapidamente nesse lixo de decisão preconceituosa.

As outras medidas vêm para organizar os critérios de votação, tornando oficial algumas coisas que eram extra-oficiais. A primeira mudança é o período de análise da Bola de Ouro, que deixar de ser o ano corrente (janeiro a dezembro) e passa a ser a temporada da Fifa (de agosto a julho). Agora isso é oficial. Mas, na prática, todos os que votavam na Bola de Ouro já levavam esse período em consideração, até pela data em que os votos eram pedidos (fim de setembro / início de outubro). Resumindo, a France Football botou no papel algo que já acontecia, mesmo com o prêmio se dizendo de janeiro a dezembro.

Essa modificação traz um problema gravíssimo para 2022: a Copa do Mundo do Qatar. Como a Copa só acabará no dia 18 de dezembro, a Bola de Ouro de 2022 não terá impacto do que for feito na Copa do Mundo! Isso é algo que enfraquece totalmente o prêmio! O maior torneio de futebol do mundo vai acabar no fim de 2022 e só será contemplado na maior premiação do futebol a partir de agosto de 2023. Vai ficar a nítida sensação de perder o prazo de validade. Para este ano, em razão da alteração do período padrão da Copa, o prêmio deveria contemplar até dezembro de 2022...
 

Uma outra mudança é criar um ranking para critério de votação. A France Football oficializou para o colégio eleitoral que há uma ordem a ser considerada ao votar: 1º Desempenho individual e decisivo; 2º Desempenho coletivo (leia-se títulos); 3º "Classe e Fair Play". E a France Football fez questão de destacar que o critério "Vida e obra", um resumo da carreira do jogador não deve ser considerado na hora de votar, para deixar o "prêmio aberto a todos". É bom oficializar os critérios a serem seguidos, embora eu ache que no fim, isso acaba não sendo muito considerado por quem vota... Mas se esse critério existisse desde sempre, Messi teria bem mais do que 7 Bolas de Ouro.

No geral, as mudanças trouxeram mais problemas do que solução. A discriminação de metade do mundo do futebol ao votar e fazer com que a Copa do Mundo de 2022 só seja contemplada pela Bola de Ouro no meio de 2023. Duas lambanças da France Football...

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