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Com “empate em 1 a 1”, Superliga Europeia caminha para o fim (por enquanto!)

Panelinha de grandes clubes europeus está perto de ruir nesta terça-feira, com a desistência de clubes ingleses diante de tanta repercussão negativa, mas parte do objetivo dela foi atingida
 

A Superliga Europeia deve dar um passo atrás, mas voltará à pauta em algum tempo...

A Superliga Europeia deve dar um passo atrás, mas voltará à pauta em algum tempo...

Durou menos de 48 horas o megaprojeto da Superliga Europeia, competição que reuniria 12 grandes clubes europeus, que deixariam de jogar a Champions League, provavelmente a partir de agosto de 2022. Anunciada no último domingo, o torneio sofreu com uma imensa repercussão negativa e nesta terça, viu clubes ingleses desistirem do projeto. O primeiro a deixar o barco, oficialmente, foi o Manchester City. Mas cedo, o Chelsea indicou que também está fora, com centenas de torcedores comemorando a decisão do lado de fora de Stamford Bridge como se fosse um gol.

Embora parece que os 12 clubes, Arsenal, Atlético de Madrid, Barcelona, Chelsea, Inter de Milão, Juventus, Milan, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Milan e Tottenham, tenham sido derrotados, na verdade, esse jogo terminou empatado em 1 a 1. Quando tudo começou, a busca desses clubes era ganhar mais dinheiro e controlar toda a parte comercial da Champions League. A Uefa, que subiu o tom diante dessa “rebeldia”, não aceitou dar esse controle aos clubes, mas acenou com mais grana, provando que os clubes tinham razão: a entidade poderia distribuir mais dinheiro.

Ainda não temos informações de como seria esse reforço ao caixa dos clubes, mas a Uefa informou que conseguiu um financiamento de cerca de 4 bilhões de euros para amenizar a situação financeira dos clubes por conta dos efeitos da pandemia. Foi um contra-ataque à injeção de 6 bilhões de euros do banco americano JP Morgan, que daria início à realização da Superliga Europeia. Logo, terminou empatado: um lá, um cá.

Desde o início dessa história, eu achei que isso não passava de uma estratégia para barganhar melhores condições, ou seja, dinheiro, com a Uefa. Mas a publicação do site da Superliga, na noite de domingo, deu um aspecto de briga declarada ao caso. No fim, tudo caminha para que os clubes “dissidentes” aceitem essa injeção de grana, mas estejam prontinhos para jogar a próxima edição da Champions League, a temporada 2021/22. Nada mais elementar em qualquer negociação em que os dois lados têm muita força, envolvendo cifras na casa de bilhões de dólares.

Muita gente deve estar achando que o presidente do Real Madrid e presidente da Superliga Europeia, Florentino Pérez, saiu como derrotado dessa pendenga. Longe disso... Ele foi às câmeras do programa espanhol El Chiringuito dizer que a Superliga Europeia seria “a salvação do futebol mundial” e passou a sensação de ser um lunático ou um mentiroso deslavado. Mas o dirigente está pouco ligando para ser amado ou odiado. Ele preside o maior clube do mundo e que não sofrerá grandes punições pela “rebeldia”. E, fechando, vai receber mais dinheiro para fazer as contratações bombásticas na próxima janela, atendendo às cobranças que sofre diariamente.

Essa questão, no entanto, está muito longe de ser sepultada. A Uefa é uma entidade que tem graves problemas de transparência e, na prática, é um entreposto comercial do dinheiro que é gerado pelos clubes. O desejo de se livrar das amarras da Uefa é legítimo (desde que não se faça uma panelinha grotesca como foi tentado agora) e isso voltará à pauta em algum tempo, imagino que dois anos. Até lá, tudo deve ficar como está, com os clubes jogando a Champions League no próximo ciclo de três anos, até a temporada 2023/24. Vamos falar muito sobre isso antes de começar a Nova Champions League, a partir dse 2024/25...

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