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Como Zizou no Real, Renato sempre teve uma chance a mais no Grêmio

Treinador fez muito bem ao Tricolor, que retomou sequência de títulos, assim como o clube fez muito bem a Renato ao acreditar nele como comandante. Mas o fim do ciclo já parecia escrito há algum tempo

Por Taynah Espinoza

Como Zizou no Real, Renato sempre teve uma chance a mais no Grêmio(AFP via Getty Images)

Como Zizou no Real, Renato sempre teve uma chance a mais no Grêmio | AFP via Getty Images

Não é de hoje que Renato Gaúcho é questionado no Grêmio. Questionamentos necessários, diga-se. Mas se a renovação de contrato aconteceu há pouquíssimo tempo, o que mudou de lá pra cá? A eliminação na pré-libertadores é o grande motivo? Se for, discordo. Até porque... vai contratar quem?


O Grêmio caiu pra um bom time, pra uma equipe organizada como o Independiente Del Valle. Teve muitos desfalques se pensarmos nos dois confrontos, além de toda dificuldade com viagens e logística da semana passada, quando não pôde treinar, teve jogo adiado e precisou trocar de país pra iniciar o confronto. Ainda assim, foi prejudicado pela arbitragem e jogou um futebol que há algum tempo esse time não apresentava. Maicon deve ser cobrado pela expulsão, mas principalmente por não tocar a bola e deixar o companheiro livre pra fazer o 2x0 depois de um passe perfeito de Jean Pyerre ontem. Diego Souza também.
Então, não acho as críticas ao trabalho do Renato justas? Acho justíssimas. E as faço há mais de ano. 


Não tem nenhuma explicação pra Darlan ter perdido espaço no time do Grêmio depois das boas atuações e de ter “arrumado” o meio-campo, com Matheusinho e Jean Pyerre, nos últimos meses do ano passado. Sem motivo, de titular, o garoto passou a reserva e, muitas vezes, a não ser nem relacionado pro banco!


Alisson tem grandes serviços prestados ao Grêmio, importantíssimo e taticamente peça fundamental no time de Renato. Mas faz tempo que não merece ser titular do time. E segue com a vaga. Jean Pyerre tem um talento raro nos dias de hoje, um passe e uma visão de jogo diferenciados. E Renato negligenciou isso por algum tempo. 


Fora os erros dentro do campo, há também os problemas de postura, uma dificuldade enorme em lidar com as críticas (da torcida e da imprensa), uma necessidade de se mostrar maior que o clube em muitas atitudes, de não participar do treino dos reservas porque precisava aproveitar uma folga no Rio de Janeiro ou seguir fora de Porto Alegre mesmo quando todos os atletas já haviam retornado aos trabalhos depois da parada por causa da Covid-19. O ídolo precisava ser mais cobrado. E não foi.


Foram ainda muitas entrevistas citando todo o dinheiro investido pelos adversários, como se o Grêmio não tivesse feito contratações caras que não deram certo na mão dele (Tardelli, Marinho...) e outras tentando colocar o torcedor contra a imprensa ao avaliar que tais perguntas eram feitas por clubismo dos repórteres. Está provado que não. Renato errou.
Mas também acertou muito. A imagem dele fez o torcedor, muitas vezes, acreditar mais. A confiança dele no grupo fez os jogadores perceberem que era possível acabar com o jejum de 15 anos sem título. Foi com Renato que o Grêmio jogou, inquestionavelmente, o futebol mais bonito do Brasil em alguns momentos dos últimos 4 anos e meio. Também foi com ele que o Grêmio revelou Pedro Rocha, Everton Cebolinha, Pepê, Luan, Jean Pyerre, Arthur, Matheus Henrique, Wallace...


Mas todo ciclo acaba. E esse fim parecia escrito há bastante tempo, mas, como Zidane no Real, Renato no Grêmio sempre teve uma chance a mais, sempre foi e sempre será tratado diferente.


A idolatria continua. O trabalho termina.

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