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Cruzeiro, 100 anos

Tem muita coisa a ser reconstruída, refundada, renomeada. 

Mas já tem um Norte. Tem como olhar pra cima e ver uma estrela que guia. Cinco de uma contestação de Cruzeiro. Tem como olhar pra dentro e se reencontrar com a história. Tem como olhar pra trás e ver que dois anos em cem não é nada pra quem pode voltar a ser tudo.

Por Mauro Beting

Piazza ergue a Taça Brasil de 1966

Piazza ergue a Taça Brasil de 1966

Cem anos de Palestra. 78 de Cruzeiro. Um ano no lugar que não é dele. E não será mais em "breve". Mesmo parecendo mais longo do que já tem sido essa passagem nebulosa da estrela que há 100 anos brilha. 

O buraco negro cavado criminosamente no mapa astral celeste nestes últimos anos levou o clube a um lugar que seria sem volta se não fosse a estrela guia de milhões. Por ser uma associação celestial que virou constelação, o Cruzeiro também chegou a lugares que pareciam inimagináveis. Como encarar o Santos penta de Pelé naTaça Brasil e golear de seis no Mineirão, e ganhar de 3 a 2 no Pacaembu e conquistar o país com Tostão e Dirceu Lopes, em 1966. 

Em 1969 uma bolada tirou Tostão do Robertão. Mesmo com Dirceu desequilibrando, não deu. Como poderia ter dado no BR-74 não fossem os donos das boladas, bolas e apitos. Em 1975 foi um iluminado Figueroa que não deixou no Beira-Rio. Mas em 1976 o Brasil que não conquistou torceu pela América tomada por um Furacão como Jairzinho, pela bomba de Nelinho, pelos milagres de Raul, pelos dribles e por aquela falta campeã de Joãozinho, pela falta que fez Roberto Batata morto em campanha. 

O Cruzeiro sabe virar o jogo. Copa do Brasil de 1993. Em 1996, então, venceu um time invencível para ser bi. Para ser bi da Libertadores em gol improvável de Elivelton no ano seguinte. Foi tri da Copa do Brasil na virada espetacular de 2000. Foram três canecos na tríplice coroa de Alex em 2003. 

Tetra da Copa do Brasil antes de ganhar um bi  do Brasileirão em 2013-14 por Éverton Ribeiro mais Ricardo Goulart. Com Marcelo Oliveira virando a casaca pra virar história. 

Para construir a glória com um bi inédito do maior campeão de Copa do Brasil, em 2017-18, com Mano e grande elenco. Antes do 2019 que só foi perder um jogo em abril. Para se perder então de fora pra dentro. De campo e da história de páginas heroicas e imortais. 

Os 100 anos começam distantes do Cruzeiro. Anos-luz da iluminada história guia. Céu nublado. Tempestades. Sem previsão de dias melhores. 

Mas nem os fundadores imaginariam há 100 anos os tantos dias melhores do clube que seria o melhor de Belo Horizonte, de Minas, do Brasil, da América. Seria um delírio palestrino. Foi colírio celeste. 

Tem muita coisa a ser reconstruída, refundada, renomeada. 

Mas já tem um Norte. Tem como olhar pra cima e ver uma estrela que guia. Cinco de uma contestação de Cruzeiro. Tem como olhar pra dentro e se reencontrar com a história. Tem como olhar pra trás e ver que dois anos em cem não é nada pra quem pode voltar a ser tudo. 

Cent'anni, Palestra. 

Parabéns, Cruzeiro. 

Estrela é pra quem tem.

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