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Cruzeiro, 101, e recontando

E precisando ser reencontrado.

Por Mauro Beting

Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966

Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966

Este texto era para ser escrito ontem. Mas eu estava de folga. Meio cansado. Fora de forma. Parece até o aniversariante desde 2019. Sem rumo. Eixo. Prumo. Norte. Céu. Bússola. Elenco. Time. Vergonha. 

Céu carrancudo. Nublado. Sem guia. Sem competência. Sem dinheiro. Sem jogador. Sem estrelas. Sem constelação ao Sul. 

Só história. Mas que antologia. Só amor. Mas que paixão. Só torcida. Mas que cabulosa. 

Não escrevi ontem. Até por não saber como descrever os casos de polícia e os descasos de administração que levaram a raposa a um buraco negro que suga tudo. Menos essa força que deve se reconsolidar com um fenômeno intergaláctico na ponta. 

Não foi tudo pro espaço. Nem pro inferno. Nem se pode esperar e exigir que Ronaldo faça fora de campo e dentro do clube que comprou tudo que realizou com a bola. É outro campo. Jogo. Boladas. 

Mas é muita coisa já feita em 101 anos  e que jamais será desfeita para quem ganhou milhões com um Tostão. Para quem teve a honra de ter Dirceu Lopes. Raul. Piazza. Zé Carlos. Palhinhas. Nelinho. Joãozinho. Marcelo Ramos. Alex. Sorin. Gomes. Ricardo Goulart. Everton Ribeiro. Dedé. 

E ainda tem Fábio. E parece que sempre terá. Como outros nomes que esqueci. Outros sempre lembrados. Como essa camisa que foi conspurcada por “cruzeirenses” em busca do real. E do irreal pesadelo da queda, do acesso apenas de raiva, das contas que não fecham, do clube que não vai fechar. 

O ano sempre começa com o Cruzeiro fazendo festa. Hora de recomeçar e terminar a temporada assim. 

É uma torcida. Não uma convicção. Mas nosso time e a nossa vida também são. Torcida. 

Boa sorte, Cruzeiro. Fé e força, cruzeirense.

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