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Distorcedor corintiano

Cobranças na base do "é pelo terror se não for pelo amor" deixam o futebol brasileiro ainda pior

Por Mauro Beting

Cássio campeão mundial em 2012

Cássio campeão mundial em 2012

A torcida organizada não é maior do que qualquer torcedor do clube - até pelo torcedor "comum" ser apenas torcedor do time, não da facção.

O torcedor "comum" não é mais torcedor do que seu companheiro de arquibancada, de sofá, de bar, de metrô, de plano de sócio-torcedor, de compra de produtos do clube.

O ídolo e/ou craque do clube, seja qual for o ídolo e o clube, jamais será maior do que a instituição.

Ou melhor: maior do que o sentimento por essa camisa que é maior do que a própria camisa, do clube, do time, da sua torcida, do seu torcedor, da nossa instituição.

Por isso o futebol é essa paixão que nos faz maravilhosamente perder a razão.

Ou desgraçadamente "cantar" para o goleiro campeão do mundo por causa dele, campeão invicto da Libertadores por causa dele, campeão brasileiro duas vezes muito por causa dele, campeão da Recopa sul-americana também por ele, campeão paulista quatro vezes muito pelas defesas dele que ele não é o que ele sabe que não é.

Cássio não é maior do que o Corinthians. Mesmo sendo tão alto. Mesmo sendo um dos maiores da história do clube.

Cássio não disse que é. Não acha que seja. Não pensa ser. Não age como tal. Não ataca. Só defende o Corinthians.

Como muitos menos dotados e doados e até danados não estão ali de sacanagem. Estão de ofício. Alguns limitados. Outros esforçados. Outros sem saber como chegaram tão longe. Poucos sem saber o que fazer com a bola que entregam e com as boladas que recebem.

Mas a esmagadora maioria ali não dá mais por não dar mais mesmo.

Só que Cássio não merece ser cobrado como se fosse um qualquer. Como se não fosse tudo que é. Como se alguém que não sabe o que faz e o que fala faz rima pobre como sua educação e respeito. Como alguém que acha que o mundo nasceu junto com ele pode esquecer o que não sabe. E jamais terá ideia.

Sempre serei pelas manifestações democráticas e pacíficas.

Mas a intolerância e ignorância precisam ser debatidas e combatidas a golpes de enciclopédia. Ou mesmo um clique na Wikipédia.

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