Blogs

É São Paulo! Campeão paulista 2021

Demorou mais do que o São Paulo está acostumado. Mas quando voltou a ser São Paulo, foi demais. Contra um grande rival. E de um modo incontestável. 
 

Por Mauro Beting

São Paulo foi campeão paulista sobre o Palmeiras(Nelson Almeida/AFP via Getty Images)

São Paulo foi campeão paulista sobre o Palmeiras | Nelson Almeida/AFP via Getty Images

Sem Benítez para articular e pensar o jogo, Crespo tentou com Sara que vinha muito bem na função. Sem o melhor físico de Luciano, Igor Gomes foi adiantado para trabalhar com Pablo. Sem Daniel Alves para abrir o jogo e armar por dentro, Igor Vinicius foi a escolha natural do São Paulo para atacar o que não conseguiu na primeira etapa. Para não dizer o terceiro tempo do clássico chocho e o oxo do Allianz Parque na quinta-feira à noite. 

O Palmeiras optou por travar o rival e contragolpear. Felipe Melo e Danilo Barbosa garantiam isso deixando o time mais pesado. Caso pensado. O último até teve a primeira boa chance do Choque-Rei, em bola retomada que saiu à direta de Volpi. O Palmeiras forçava o erro do São Paulo que errava tanto que até o gol de Luan nasceu de uma matada torta no peito e um chute ainda mas torto do volante que desviou em Felipe Melo. 

Foi um zero a zero com gol no primeiro tempo com mais uma chance que Gómez chutou fora. Nenhuma defesa de Volpi ou Weverton. Posturas excessivamente defensivas e indefensáveis dos treinadores, mesmo com o desgaste ainda mais indefensável de um calendário absurdo, insano e muito mais intenso que outro clássico chato e com muitos erros na parte inicial. 

De tanto querer jogar no erro alheio, parece que as equipes esqueceram como jogar no acerto. 

Crespo voltou com o melhor são-paulino desde que chegou ao clube em 2020 - Luciano x Pablo. Abel escalou o melhor meio que tem - ainda mais precisando ao menos empatar o jogo, com Danilo e Patrick de Paula substituindo Felipe Melo e Danilo Barbosa, e dando mais dinâmica e chegada (na teoria...). 

O São Paulo se trancou mais e apostou no contragolpe. Teve enorme chance com Luciano aos 6, depois de bola espichada e desatino de Luan. O Palmeiras foi mais pra cima. Ou tentou. Mas Veiga seguia mal. Luiz Adriano saía muito da área. Rony só corria. O São Paulo administrava bem, até o emocional para um clube que desde 2005 não ganhava o Paulistão, e desde 2012 um grande título. 

Aos 17, o Luan tricolor sentiu lesão e foi substituído por Rodrigo Nestor. Abel ousou e foi com Wesley no lugar de Victor Luís, e Gabriel Menino por Luan. Mayke passou de ala para zagueiro, com Menino como ala pela direita; Rony abriu pela direita, Wesley pela esquerda cortando para dentro para se aproximar de Luiz Adriano mais enfiado. O 3-4-1-2 virou 3-3-1-3. 

Mas não virou. Scarpa entrou aos 23 no lugar do sumido Veiga. Mas o Palmeiras mais nada criava. O São Paulo com sabedoria se fechava e aproveitava o nervosismo do rival desde o gol carambolado. Aos 29, Crespo apostou na velocidade de Rojas no lugar do desgastado  Igor Gomes. 

No lance seguinte, Nestor serviu  Luciano livre para fazer 2 a 0. 

Gol merecido pela superação de Rojas depois de quase dois anos sem jogar. Gol merecido pela qualidade que vem de Cotia como Nestor. Gol merecido pela qualidade e eficiência de Luciano. Gol merecido do título que ficou nos melhores pés. Os de melhor campanha na fase inicial. O time que jogou mais completo e mais focado o SP-21 desde o início.

O que mais uma vez em mata-mata foi melhor do que o Palmeiras. Devolvendo ao são-paulino o que é muito dele. Ser vencedor. Mas que não vinha sendo por muitos erros tricolores. Mais fora do que dentro de campo. 

Pena que faltou torcida no Morumbi. Mas sobrou demais pelo Brasil que voltou a ver um São Paulo campeão, às 17h56 de 23 de maio de 2021. E voltou a ver o Palmeiras em mais uma decisão. Ainda que jogando pouco. 

Mas, mesmo que jogasse, teve um São Paulo que jogou melhor. Jogando sério. Sem soberba. Apenas soberano de fato. E de direito.

Comentários