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Não solta a mão! Mayra Aguiar

Judoca ganha o seu terceiro bronze olímpico em três Olimpíadas. A primeira brasileira a conquistar três em esporte individual

Por Mauro Beting

Mayra Aguiar é bronze!

Mayra Aguiar é bronze!

Budokan é o Maracanã do judô. Wembley. Ou os dois juntos. E ainda com shows dos Beatles para encantar.

Mayra Aguiar é do tamanho deles.

Dor, lesão, cirurgia, dor, corte, dor, fisioterapia, dor, retomada, dor, dúvida, treino, luta.

E que luta. E que dor.

Neste mundo infestado e impregnado pela marola do "mimim" que relativiza ou minimiza as dores alheias, Mayra venceu de novo. Seu tri olímpico. Tri de bronze. Quase sem conseguir treinar depois da sétima cirurgia na carreira campeã.

Medalha, medalha, medalha. Como diria Mutley. Como conquistou Mayra. Desde os 6 anos lutando em Porto Alegre.

É lugar comum dizer que só estar lá já é um prêmio. No caso dela, e de muitos, subir ao pódio para quem sofreu e doeu com ela, a doação e danação são ainda maiores.

Só ela sabe. Só ela mesmo duvidou dela mesmo depois de tanta operação. A gente sempre espera de grandes atletas superações. Mas só eles sabem mesmo até quando. Até onde.

Ou, no caso de Mayra, nem ela. Ela lutou. Em qualquer acepção. E ela voltou a ganhar dela mesma. Mais do que das rivais.

"Não vou soltar", ela disse. E não soltou. No tatame e em todos os momentos em que ela não soltou a mão. Não largou o corpo. Não deu no pé. Nem de ombros.

Se nem pro Japão fosse, já era bicampeã no pódio. Foi, e voltou com o peito ainda mais pesado. Honrando o passado de quem tem história.

Aguiar já diz muita coisa. Mayra diz muito mais. Lutando como mulher.

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