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O curioso caso do Botafogo que rejuvenesce

A SAF não é a única solução nem salvação possível. Mas é a melhor e a que está na cara do gol. Melhor um profissional bem remunerado que coloca dinheiro e estrutura em um clube do que amadores mal amados que tiram e desestruturam um colosso.

Por Mauro Beting

Botafogo

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Em 2014, uma das empresas do norte-americano John Textor criou um holograma de Michael Jackson para o Billboard Music Awards para o Rei do Pop “tocar” ao vivo, cinco anos depois da morte de MJ.

Emocionante. Ele parecia estar ali no palco.

Se eu pudesse fazer um pedido ao investidor de 90% da SAF do Botafogo, eu gostaria que ele fizesse um holograma de Garrincha no Nilton Santos. Outro da própria Enciclopédia.

Heleno de Freitas. Um jogo de estrelas da Solitária.

Que tal?

Textor ama cinema e tecnologia. Dos estúdios de efeitos especiais dele nasceu o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, em 2008. Alegoria sobre uma criança que nasceu “velha” e morreu como se fosse um bebê. Invertendo a ordem natural das coisas.

Mais ou menos como ele precisa fazer no clube carioca. Precisa investir e inverter a desordem botafoguense das causas e da casa. Deixar mais jovem o que estava morrendo e/ou renascendo assassinado pela incúria e pelas dificuldades naturais desse negócio do futebol. Cada vez mais negócio e menos futebol.

Textor se daria muito mal depois com essa mesma empresa, em 2012. Faliu. Uma série de processos. Mas virou o jogo de novo. Quase sempre investindo em tecnologia de ponta. Tec de pontas e craques como Mané e como Jair que também brilhavam em realidade aumentada e explosiva. Essa maravilha que traz à tona e à tela até quem morreu. Aumentando de um QR Code uma realidade virtual de sonho. Trazendo até quem é muito vivo de tanto sugar boladas e a bola histórica do clube, como tantos velhacos que levaram a Estrela a esse buraco negro que tudo suga.

Textor, em agosto de 2021, comprou participação acionária do Crystal Palace da zona Sul de Londres por 87 milhões de libras. Agora vai ser o homem caixa-forte da Zona Sul carioca.

Adora o futebol que ele não chama de Soccer. Mas que pode chamar de oportunidade. Mais uma.

Foi atleta de vários esportes. Mas no skate se saiu melhor. De tanto cair e levantar e fazer movimentos, aprendeu a se virar em outros campos. Com várias manobras arriscadas e perigosas.

No futebol, ele diz, conheceu as melhores amizades. Por também entender que esse esporte cria conexões muito profundas. Como muito bem explicou nas redes sociais do clube.

“O Botafogo nasceu antes de mim. Eu vou morrer e o clube vai continuar. Não posso ter a pretensão de dizer que estou comprando uma instituição. Esses times pertecem à comunidade, à sua torcida. Eu me sinto como um cuidador do clube agora. Não o dono”.

Podem ser só palavras bem colocadas. Para mim parecem o empurrãozinho de Maurício em Leonardo no gol do RJ-89. O que faltava. Aquilo que Nilton Santos adoraria ouvir a respeito do clube onde ele também foi um cuidador. E curador.

Textor diz que a enorme empreitada  que terá pela frente é uma “página em branco”. Em um livro dourado, digo eu. Gigante. Do tamanho das dívidas e dúvidas e desafios.

Gosto da ideia de reforçar ainda mais a base. E a de internacionalizar ainda mais o elenco que na século já teve de Seedorf a Honda, Abreu a Kalou, Gatito a Carli. Deu a letra de que valores norte-americanos (e não apenas no banco) podem apontar. Que até 20% do time será gringo. E que mais gente virá do que sairá de General Severiano para o mundo.

Veremos. Oremos.

Até por ele já começar acertando ao trazer uma das melhores contratações do clube desde… Desde… As próximas avalizadas pelo colega e amigo Raphael Rezende, novo head scout do clube. Outro craque que o jornalismo dá aos clubes como Dassler Marques, Pedro Venancio, e outros cada vez mais. Sou suspeito para falar de amigos. Mas insuspeito para dizer que o estudo faz tão bem em qualquer campo como gente com vontade e dinheiro e criatividade.

Textor tem imensa razão em falar que ainda não damos a bola devida aos analistas de desempenho e scouts nestas plagas praguejadas. Mas é só botar essa gente pra jogar. O pontapé inicial nos fundilhos está dado.

Boa sorte, man. Você pode estar começando a realizar o maior efeito especial de sua carreira.

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