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O mais humano dos heróis

Identificação do povo com Maradona mostra o quanto ser verdadeiro aproxima

Por Taynah Espinoza

Uma única luz acesa na Bombonera: o camarote de Diego Maradona

Uma única luz acesa na Bombonera: o camarote de Diego Maradona

Vivemos a Era da Perfeição. Tudo é perfeito. Pessoas, corpos, peles, roupas, carros... Ninguém erra. Ninguém tem problemas.

Vivemos a Era do Julgamento. Sem conhecer as histórias, sem conhecer as causas, sem conhecer os motivos, julgamos. E falo na 1ª pessoa do plural porque, claro, me incluo nessa Era.

Pois quando vejo Maradona, vejo quem é completamente fora desse padrão que foi estabelecido. Desse perfeccionismo que tanto exigimos do outro e que, na verdade, não encontramos nem em nós mesmos. Não somos perfeitos. Aliás, bem longe disso.

Dos maiores do esporte, Maradona foi quem mais assumiu erros, assumiu imperfeições, assumiu riscos. Maradona foi o mais humano dos heróis que a gente enxerga nos ídolos.

Em Maradona, ninguém conseguia carimbar nenhuma expectativa. O carimbo falhava.

Dos gigantes dos gramados, Maradona era quem mais representava seu povo. Quem sabe por ser exatamente como esse povo, apaixonado, torcedor fervoroso. As imagens do camisa 10 no seu camarote, na Bombonera, quase caindo de lá de tanto que alentava, cantava e torcia eram as imagens de um “torcedor comum”.

De comum, Maradona nunca teve nada.

De humano, Maradona sempre teve tudo.

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