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Paulo Sousa no Flamengo

É um ótimo treinador para o futebol brasileiro. Vai dar certo? Ninguém sabe. Nem o Braz. Nem mesmo se fosse o Guardiola, o Klopp, ou mesmo o Jorge Jesus do segundo semestre de 2019.

Por Mauro Beting

Paulo Sousa no Flamengo

Paulo Sousa no Flamengo

Se Jorge Jesus tivesse voltado como queria o Flamengo, sua torcida e quem gosta do futebol maravilhoso que ele jogou no BR-19 e na Libertadores (e seguia jogando até deixar o Brasil durante a pandemia em 2020), não há como garantir que ele faria o que Tite refez no Corinthians em 2010-13 (e também 2015-16), Felipão em 2018-19 no Palmeiras, Cuca em 2021 no Atlético Mineiro. 

Mas, certamente, havia mais chances de dar mais certo do que errado. Talvez não tão certo quanto o melhor futebol que eu vi na América e no Brasil neste século - o de 2019. Mas ainda com Diego Alves, Rodrigo Caio, Filipe Luís, Arão, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabi disponíveis - não tão necessariamente dispostos - para escalar. Com mais opções de banco do que em 2019-20. Com mais milhagem. Com mais tudo para voltar a se dar bem. O que é sempre preferível à tese chula de que "não se deve voltar a um lugar onde se foi feliz"... Então é melhor dar um tiro no escuro? Retornar a um lugar onde se foi infeliz?

Não rolou. E fez bem o Flamengo ao tentar Jorge de volta. Talvez pudesse esperar o desfecho que as velhinhas de Taubaté e as meninas do Leblon esperavam - a saída de Jorge Jesus do Benfica antes mesmo do final do ano e da picada. Tinha tempo hábil para isso - ainda mais para um clube que demite treinador de madrugada como o Flamengo de Landim. Mas alguma coisa JJ fez (ou deixou de fazer) para Marcos Braz fechar a cara, o papo e as portas da Gávea. Na entrevista para Artur Quezada, da TNT Sports, o cartola rubro-negro não cita nem o nome de JJ. Ele se refere a um dos maiores treinadores da história do clube como "uma outra pessoa", que, para ele, "pelo histórico recente", era uma ótima opção... 

Mas, segundo ele (ótimo de negociação, mas, como JJ, não o Charles Miller que trouxe as pelotas, nem o Zico que jogou melhor do que todos a Gávea), o vice de futebol não podia esperar mais. Ele, como torcedor, até tinha como...

A discutir... Ainda mais para quem tem gelo no sangue, como ele mesmo diz.

Novelão encerrado, Paulo Sousa pode tocar muito bem o Flamengo em 2022, como disse Braz. Até por iniciar um trabalho com o começo de temporada como não acontecia no clube desde Abelão, em janeiro de 2019. Se emular ideias práticas mais do que a teoria tática do 3-4-2-1 da Fiorentina quinta colocada na Série A em 2015-16 (mas se m a eliminação bizarra em casa na Copa Itália para o Carpi), Paulo pode ser mais um Paulo César Carpegiani em 1981-82 do que um Dome sem tempo e sem grandes resultados em 2020. Mais do que o desempenho em campo de Rogério Ceni. Mais próximo do trabalho inicial do que do desfecho melancólico de Renato em 2021.

Paulo gosta de um futebol que esse time altamente qualificado tecnicamente pode entregar, com o potencial técnico e o entrosamento que nem Atlético Mineiro e Palmeiras tem por estes trôpegos trópicos. Pode seguir propondo jogo com intensaide e qualidade. E pode se ajustar melhor defensivamente. Até mesmo dentro da concepção preferida (linha de três), com um ajuste com Filipe Luís como zagueiro mesmo: Diego Alves na meta; Rodrigo Caio e Filipe como os zagueiros pelos lados, com David Luís mais protegido e expondo menos na sobra; um ala pela direita que pode ser enfim Matheuzinho, Arão e Andreas Pereira, e Michael como ala mais espetado pela esquerda; Arrascaeta como articulador central, e Gabi e Bruno Henrique mais soltos na frente.

Everton Ribeiro começaria no banco. Ou poderia voltar a ser uma espécie de ala pela esquerda, como foi no começo de carreira no Corinthians. Lutando por um lugar com Michael. Ou Ramon. Numa linha de quatro na intermediária mais "torta"; isto é: o ala pela direita mais próximo dos três da zaga, e o pela esquerda mais avançado.

É uma ideia. E não as faltam para Paulo.

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