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Prancha formosa - Ítalo Ferreira

Primeiro medalha de ouro veio com o brasileiro que é fiel aos irmãos que fizeram as primeiras pranchas apenas em troca de apoio e amizade

Por Mauro Beting

É ouro! É Ítalo!(2021 Getty Images)

É ouro! É Ítalo! | 2021 Getty Images

Ítalo Ferreira é potiguar de Baía Formosa, a 94km de Natal. Começou surfando na tampa de isopor que mantinha frescos os peixes que o pai vendia.

Hoje é ouro no outro lado do mundo que o esporte o levou a conhecer. Reconhecido como primeiro campeão olímpico vencendo um japonês que ainda não sabe como venceu Gabriel Medina pelos votos de gente que parece que sabe de surfe menos do que eu.

Italo passou e treinou os últimos meses em casa. Com os pais. Na cidade em que construirá uma instituição esportiva para ajudar jovens que muito provavelmente não terão o futuro dele. Mas terão mais estrutura e oportunidades para tentarem ser como ele.

Não haverá nota que desabone e elimine esse sonho de cidadania e humanidade.

Italo é um grande vencedor que não precisa de medalha. Talvez até não fosse ouro se Medina não fosse tungado como até o Patrick Estrela do Bob Esponja sabe. Mas o que importa mesmo é surfar nessa onda mais virtuosa do que vitoriosa.

Vitória de família. A que Medina não conseguiu trazer a Tóquio - outra discussão gigante. Tanto quanto a menor querela de gente que torceu contra o surfista só por ele apoiar o presidente do Brasil.

Cada um torce e distorce por quem quiser. Mas condicionar o apreço por um voto não tem preço. Tem um valor irrisório.

Vibro ainda meus quando ídolos pensam parecido e/ou distante das práticas do atual presidente. Mas jamais deixarei de gostar de craques e até ex-craques e escroques apenas por um voto.

Ainda que nele.

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