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Quem está acabando com o futebol?

Falar da parte tática, estratégica e financeira do jogo estraga o futebol? Existe um movimento que está tirando a graça e emoção do esporte? A culpa é da mídia?

Por Bruno Formiga

Quem está acabando com o futebol?

Quem está acabando com o futebol?

Esses dias vi uma ótima entrevista do jornalista Mauro Cezar Pereira com apresentador Benjamin Back no UOL Esporte. Entre os muitos assuntos, um me chamou a atenção: Para onde caminha a comunicação esportiva?

"Pífio é querer transformar futebol em matéria de faculdade", disse Benja, em uma das primeiras frases do vídeo. "Parte da mídia estrá transformando o futebol em um produto chato", falou em outro momento.

Benja é um comunicador. Dos melhores, diga-se. Nessa linha, entende o futebol como um show. E busca levar isso para os programas que comanda. Praticamente todos com sucesso. Nada mais justo.

A questão pra mim é simples. Na entrevista, Benja deixa claro que não curte quando o foco do futebol passa a ser tática, estratégia ou finanças. Essas questões, porém, não anulam o lado lúdico, romântico e leve do jogo.

Tudo isso coexiste em campo. E fora dele.

O fato de você não gostar de tática não vai tirar isso do jogo. As estratégias, os esquemas, as funções, os comportamentos coletivos continuarão a existir ali. Independente do que a gente prefere ou curte.

Sim. Futebol também é estudo.

Esse movimento que muita gente vê como algo que "estraga o jogo" vem de dentro pra fora. Essas mudanças acontecem no campo, nos treinos. Sim, nas faculdades também.

Futebol é pensado, planejado, executado. É um esporte de alto rendimento. E esporte de alto rendimento exige investimento, dinheiro, gestão. 

Olhar pra isso também é fazer um recorte. Falar para um nicho que entende que aquilo é importante.

Nada invalida quem gosta de conversar sobre futebol de maneira mais leve, mais lúdica. Tem quem prefira as boas histórias, os ótimos personagens, os roteiros. E tem quem prefira entender o que tá acontecendo em campo com base em análise.

Isso não estraga o jogo. Pelo contrário. Mostra outras perspectivas, amplia o leque, aumenta o holofote.

Tem espaço para todas as visões.

Podemos debater sobre a forma de falar, como explicar, transmitir.

Mas pra mim é claro: o jogo vai continuar sendo um JOGO. Quer a gente goste disso ou não.

Os treinadores vão continuar esboçando esquemas, orientando jogadores, pensando em treinamentos, bolando funções, melhorando preparação física, recuparação médica.

Isso vai decidir muito mais os jogos do que qualquer outra questão, inclusive as mais lúdicas.

É assim há décadas. E (parece que) vai continuar sendo.

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