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Renato Portaluppi: o pior treinador da era milionária do Clube de Regatas do Flamengo

Números frios mentem, e Renato deixa o Flamengo sem títulos, sem legado e com a língua queimada

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Por Igor Affonso Cunha

Palmeiras v Flamengo - Copa CONMEBOL Libertadores 2021: Final(2021 Getty Images, Getty Images South America)

Palmeiras v Flamengo - Copa CONMEBOL Libertadores 2021: Final | 2021 Getty Images, Getty Images South America

Durou pouco mais de quatro meses o conturbado ciclo de Renato Portaluppi no Flamengo. O sonho, como o próprio sempre tratou ao falar sobre a vontade em treinar o clube carioca, virou pesadelo. Para ele, para suas bravatas e para o torcedor rubro-negro, que terminará a temporada sem nenhum grande troféu em sua galeria. 

Apesar dos números frios, bons (mais de 70% de aproveitamento), eles não correspondem à exata realidade do que foi o trabalho do profissional sob o comando do elenco mais valioso do futebol sul-americano. Da era milionária do Flamengo, inclusive, Renato foi, proporcionalmente, o pior dos técnicos que a instituição teve.

A opinião pode parecer exagerada para alguém que disputou uma final de Libertadores, brigou pelo título brasileiro e chegou até as semifinais da Copa do Brasil. Mas explico: de todos os treinadores, Portaluppi foi o que teve o plantel mais qualificado e com mais opções à disposição. E o que menos soube o que fazer com elas, mesmo prometendo anterioramente que era 'fácil' para Jorge Jesus.

Abel Braga foi um atraso, mas em um período em que a equipe ainda não era 100% composta por estrelas. Dome também foi abaixo da crítica, parece ter sido mais um delírio coletivo, mas entrou em um contexto complicado, substituiu o 'Mister', enfrentou a transição mais complicada possível e ainda passou por fatores como surto de Covid no clube. Ceni geriu mal seus comandados, mas tinha trabalho claro e, mesmo com falhas, ganhou Brasileiro, Supercopa e Carioca.

Já Renato iniciou com goleadas, claramente melhorou o ambiente, mas congelou quando sua equipe precisou de soluções. Ficou refém da qualidade individual de um grupo que tem duas ou até três opções por setor. Poupou em demasia, substituiu mal incontáveis vezes e foi responsável direto por algumas desorganizações táticas que levaram o Flamengo a não ganhar alguns jogos do Campeonato Brasileiro. 

Na final da Libertadores, o semblante perdido mostrava o desespero de alguém que já havia entregado o cargo antes e apenas foi convencido a ficar. E em Montevidéu, o time de R$ 200 milhões, outrora tão falado por ele  como um que tinha obrigação de encantar e ganhar, sucumbiu. Uma mistura de nada com pouca coisa. No banco de reservas, mais pareciam Filipe Luís e Diego Ribas uma espécie de técnico e auxiliar. 

Após a partida, uma leitura de que o Palmeiras havia jogado em uma linha de cinco homens, o que não aconteceu. Uma coletiva - como tantas outras - para aterroziar para sempre qualquer flamenguista. Renato sequer entendeu o que aconteceu em campo. Um fim de roteiro melancólico, mas à altura do que foram seus meses no Flamengo: ideias em falta, desculpas em sobra. 

Renato tanto pediu uma "seleção", que quando a teve, não soube como trabalhar com ela (e olha que esta não é nem a brasileira, onde muita gente o pedia no lugar de Tite. Vai entender...). Portaluppi pagou pela própria língua porque nunca teve tamanho para bancar as coisas que bancou na época de Grêmio. Porque está preso em um personagem que, agora mais do que nunca, perdeu moral e confiança. 

Milhões (mais de 200), reforços recebidos, o elenco mais qualificado dos 126 anos de Clube de Regatas do Flamengo e nenhum título. O legado de quem prometeu e nada fez. Qual outro nome performaria tão mal com tanto?

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