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Sai Crespo, volta Rogério Ceni no São Paulo

O treinador dos sonhos da atual gestão retorna ao Morumbi. Craque-bandeira tricolor reassume o São Paulo que ninguém assumiu tão bem em campo.

Por Mauro Beting

Rogério Ceni

Rogério Ceni

Hernán Crespo entregou mais do que se imaginava para um clube que não ganhava o Paulistão desde 2005. E em três meses ele já foi campeão estadual. Vencendo o Palmeiras que quase tudo ganhava, e com autoridade. Mas, também dessa maneira, esgarçando ainda mais um elenco com suas limitações. 

Também por conta do cofre limitado como poucas vezes na história do São Paulo Futebol Clube ele esteve. E não só pela pandemia. Também por outras doenças contagiosas que chegaram com Juvenal Juvêncio, passando por Carlos Miguel Aidar, por Levo, chegando agora a Júlio Casares. Ele tem feito uma boa administração. Mas, com o legado recebido, com as pressões dentro e fora do clube, com as redes cada vez mais antissociais, com a mídia cada vez mais influente na pior acepção do termo, não tem quem não fique careca treinando um time. Ou administrando pressões. 

Ainda mais vindo de outro país como Crespo. Ainda mais com a pressão colossal que é fazer este São Paulo ser campeão e ainda jogar bem.


Algo que não aconteceu no BR 21. Responsabilidade também da comissão técnica que foi perdendo jogos, jogadores por lesão, e condicionamento físico desse grupo que rende menos do que pode. 

Aposta na conquista do Paulistão acabou sendo cara demais. Tipo a negociação com Daniel Alves.

Mas nem isso justifica o futebol fraco apresentado, e a péssima campanha no Brasileirão. Sem falar a eliminação merecida na aziaga Copa do Brasil tricolor diante do Fortaleza, e na primeira derrota sofrida para o Palmeiras na história do confronto na Libertadores.

O São Paulo tem sido muito o que não tem sido Benítez - ou tudo o que é o meia argentino. Tem talento, tem potencial, tem capacidade para decidir, mas não consegue jogar boas partidas, não consegue manter um bom desempenho, fica mais fora do que dentro, e acaba sendo tratado como se fosse Pedro Rocha, Raí, craques históricos realmente de um histórico São Paulo. Não deste clube que tem errado demais por fazer o que acabou de fazer com Crespo. 

Demiti-lo. Mais um. Perdendo até a razão quando a tem. 

Não sei se ele conseguiria retomar e recolocar o São Paulo num caminho mais competitivo. Tem faltado muita coisa no Morumbi, sobretudo paciência. 

Claro que existem bons nomes no mercado brasileiro e até de fora para substitui-lo. E o mais óbvio e talvez o melhor pro momento seja mesmo Rogério Ceni. Mas nem ele consegue ser blindado com a sequência ruim de jogos como se viu no São Paulo de Crespo. 

Como se vê no São Paulo desde 2012.

Em comum acordo, comissão técnica argentina e direção tricolor aceitaram o destrato. Como agora, tudo vira “comum acordo” nesse futebol incomum e sem muito acordo. E com muita gente dormindo no ponto. E no banco.

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