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Sicupira

O maior artilheiro do Athletico Paranaense partiu neste domingo, aos 77 anos.

Por Mauro Beting

Barcímio Sicupira Jr.

Barcímio Sicupira Jr.

Sicupira tinha cabelo dos anos 1970. Garra e bola dos anos 1960. Nome dos anos 1940 - Barcímio. O mesmo do pai que fez de tudo para o Júnior  jogar. Até quando ele pensou desistir. O pai não deixou. A paixão que o levou ao Botafogo no final da carreira de Mané, Didi, Nilton Santos. 

Lá foi reserva. Sabendo que só por estar entre aquelas feras já era muito. Jogou até de lateral só pra tentar ser o que não conseguiu no Rio. Foi para o Botafogo de Ribeirão Preto. Salários atrasados quase o levaram ao Coritiba. Optou pelo Athletico, em 1968. Onde ao lado de outros veteranos como Djalma Santos e Bellini ele foi campeão paranaense em 1970. Repetindo a proeza dele pelo Ferroviário, em 1965. Quando fez de calcanhar o gol do título. Calcanhar. Bicicleta que tanto fazia. Ele era diferente. 

Mais não conseguiria por ter pela frente talvez o melhor Coritiba. Mas ninguém faria mais gols pelo Furacão até 1975. E até hoje. 

Pelo Athletico que aprendeu a amar cobrou menos. Botou dinheiro na mesa. No bolso de quem não recebia. E desde 1975 queria profissionalizar o clube e os atletas. Pedia quando pendurou as chuteiras um estádio maior. Exigia gramados melhores. Mudança de mentalidade no futebol de Curitiba. 

Muito à frente do tempo. Também em campo. 

Não era veloz. Não era alto. Não tinha corpo. Nao queria briga. Não sabia cabecear. Mas usava  bem a cabeça. Pena que desmiolados achavam que ele não suava. Não precisava. Ele sabia. E muito. Como ótimo comentarista que depois seria. 

“Pessoal quer sangue em campo. Nossos campos parecem arenas romanas”. 

Nossos campos estão mais pobres sem o coração que levou o Sicupira no domingo. Força e luz à família e amigos e fãs.

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