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Tem lógica com o crível Hulk - Atlético Mineiro 3 x 1 Cruzeiro

Galo mais uma vez campeão com autoridade contra Raposa que se superou. Mas não tinha como fazer diferente. Talvez o 3 a 1  tenha sido demais para a equipe celeste. Mas não para o grande tricampeão estadual.

Por Mauro Beting

Crível Hulk

Crível Hulk

O clássico iguala os desiguais. Como terminaram 2021 nunca tão distantes: o Galo campeão do Brasil e da Copa do Brasil, a Raposa pastando na segunda divisão pela segunda vez seguida.

Em 2022, como já se viu na primeira fase, a distância já é menor. Mais ainda significativa. Como mostrou o placar talvez dilatado demais pelo que foi a partida.

Um jogo só, como foram os últimos pelo Mineiro, permite um equilíbrio ainda maior. E começou assim o clássico. O Galo teve a primeira grande chance com Keno, aos 3, muito bem defendida por Rafael Cabral, goleiro de nível de Cruzeiro. A equipe celeste não se trancou. Tentou atacar e igualar o jogo no 4-1-4-1. Aos 8, William Oliveira quase fez de cabeça, depois de escanteio da direita. Aos 10, cabeçada de Zaracho foi por cima. Na terceira saída errada do Cruzeiro que tentou fazer um jogo estruturado que ainda não sabe (embora o time já esteja muito melhor formado). Ou o Atlético não deixou querer saber.

Aos 15, jogo ainda equilibrado, Everson quase entregou a rapadura numa manchete mal dada num tiro longo de Pedro Castro. O Cruzeiro buscava com ousadia e com camisa a igualdade, para não dizer superioridade, na final estadual teoricamente menos igual entre gigantes.

Aos 23, numa confusão na área, Arana teve o chute travado. O Cruzeiro jogou com o espírito devido o clássico. Mas claro que falta ainda muita coisa. Compensada em parte pela disposição de underdog, e pelo bom trabalho de Paulo Pezzolano, que rapidamente deu cara e corpo à equipe.

Aos 25, treta entre Réver e Edu criou o primeiro climão entre todo mundo. Amarelos para ambos resolveu a questão. Em parte.

O jogo ficou mais picotado e tenso. Mas com mais chances ao Galo. Em ótimo lance de Keno, Hulk soltou a canhota e medalhou a bola no peito de Cabral. Um minuto depois, aos 30, Hulk estava mais distante da área, mas mais centralizado. Bastou para girar sobre Eduardo Brock e bater rasteiro no canto esquerdo de Rafael. Goleirão que se ajoelhou e nada fez.

Como é difícil mesmo encarar esse Galo em Minas. E em qualquer geral do Brasil desde 2021.

O Cruzeiro teve que sair mais. Abusou dos bons cruzamentos de Rafael Santos. E deu ainda mais espaço para o contragolpe atleticano. Os Vítor Roque e Leque têm muito potencial lá na frente. Edu vive boa fase. Mas ainda são pouco para tamanhos obstáculos internos. E para o tamanho do rival.

Mesmo assim, Pedro Castro quase fez golaço de letra, aos 44. Edu bateu firme para boa defesa de Everson, aos 46. Lances para encher de moral a Raposa para a segunda etapa.

Edu desperdiçou de cabeça a primeira bola bem cruzada como sempre por Rafael Santos, aos 8. Também por isso El Turco apostou em Ademir pela direita (substituindo Keno), com Zaracho trocado para o outro lado, aos 10.

Aos 15, João Paulo enfim veio a campo para também criar no lugar do pouco intenso Pedro Castro. Waguininho (por Vítor Leque) entrou junto e na primeira bola na dele, pela esquerda, obrigou Everson a fazer boa defesa.

O Cruzeiro crescia. Mas bastou Hulk achar Nacho pela esquerda, para ele cortar pra dentro e encher o pé direito (o menos excelente) e fuzilar Rafael Cabral. E o todo o esforço celeste, com 19 do segundo tempo.

O terceiro gol foi consequência. Pênalti sofrido por Hulk, muito bem executado aos 34. O esforço do Cruzeiro foi minimamente recompensado com o gol de Edu, de cabeça, depois de escanteio da esquerda.

Décimo-primeiro gol dele em nove jogos em 2022! São 47 gols em 78 jogos pelo Galo. Números e desempenho que podem fazer Hulk sonhar com um lugar entre os prováveis 26 nomes no Qatar. Por que não? Também nessa estou com Pedrinho, Hulk dos comentaristas do SporTV.

Ambos excelentes e críveis.

Grande vitória de um Atlético tricampeão estadual que vai continuar brigando por tudo. Boa atuação de um Cruzeiro que pode mesmo pensar em voltar em 2023.

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