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Toca pro (e no) Calleri que é gol! São Paulo 3 x 1 Palmeiras

Tricolor joga melhor e vence bonito no Morumbi em Choque-Rei com polêmica na arbitragem, e o gol no final que recoloca o Palmeiras na dificíl disputa no Allianz Parque.

Por Mauro Beting

Toca pro Calleri

Toca pro Calleri

O Pablo Maia que foi infeliz em Barueri na semifinal da Copa São Paulo-22 e ajudou a classificar o Palmeiras para ser campeão, desta vez pode ter dado mais um título para o Tricolor contra o Verdão. Emulando o gol de Luan na decisão do SP-21. Como Raphael Veiga diminuiu o placar repetindo o que Patrick de Paula fizera na ida no mata-mata entre os gigantes, na Libertadores de 2021.

Qual história se repetirá como festa se verá na decisão que foi reaberta no Allianz Parque com o gol palmeirense, no final. De um time que dificilmente voltará a jogar tão pouco numa disputa de título. Mas contra um São Paulo que volta a jogar muito e o eficiente na hora em que ele é ainda maior.

Melhor ataque do mandante x a melhor defesa do visitante.

Começou como o Choque-Rei do turno, com o Palmeiras buscando mais o jogo, e quase abrindo o placar, em grande lance de Piquerez que Veiga mandou à direita de JandreI. Abel repetiu a ideia da saída a três com Marcos Rocha, e Piquerez alargando o campo à esquerda.

O São Paulo respondeu aos 11, quando Wellington achou Alisson, que mandou a bola no travessão de Weverton. Aos 20, Veiga encontrou Rony na desatenção de Diego Costa, mas o 10 que joga de 9 e é 7 furou o que tentou fazer e Jandrei foi mais esperto.

Até os 48, mais nada de ninguém. O São Paulo no 4-4-2 usual, com Alisson dando mais dinâmica saindo da esquerda, mas Nestor e Igor Gomes encontrando pouco Eder e Calleri. Pablo Maia bem na contenção a Veiga, e Rafinha atento a Scarpa. Wellington saiu mais às costas de Dudu. E o craque palmeirense não conseguiu manter o excelente nível. Também pela boa marcação em Veiga. Zé Rafael discreto mais atrás, com Jailson não dando a mesma fluência do ausente Danilo.

O Choque-Rei era típico de final. Mais marcado e temido do que jogado e criado. Até a arbitragem típica brasileira marcar pelo VAR um pênalti discutível, aos 48. Um cruzamento da esquerda que bateu na mão esquerda aberta de Marcos Rocha. Como quase todo lance de mão na bola/bola na mão, toda intepretação é possível. Na minha, pela proximidade do cruzamento e velocidade da bola, eu não marcaria: não entendo que houve tempo hábil para o lateral palmeirense ter reflexo para desviar com a mão, e nem que ele tenha tido intenção manifesta de ampliar indevidamente a área corporal em movimento antinatural, em jogada tão próxima e rápida.

Mas entendo, ainda mais onde tudo se marca, que o árbitro tenha interpretado como pênalti bem brasileiro.

Muito bem cobrado por Calleri, aos 50, deslocando Weverton.

Na segunda etapa, o Tricolor voltou mais vivo, mais aceso e intenso. Ganhando a maioria dos rebotes e divididas, e explorando mais também o lado direito do ataque. O Palmeiras mais disperso e sem o ritmo usual dos últimos tantos jogos decisivos. Danilo fez muita falta nesse momento de construção se jogo. A partida ficou a caráter para o time de Ceni, apoiado por um Morumbi em espírito de noite decisiva.

Dudu e Veiga, os desequilibrantes palmeirenses, estavam muito abaixo do nível usual. Scarpa assumiu a bronca, mas não conseguia sozinho, com Rony bem marcado. O São Paulo marcava muito e saía rápido em busca do contragolpe. Mas sem acertar o pé no momento de concluir, como Eder, aos 14: estava sozinho à frente de Weverton, tocou pro Calleri que é gol... Só que Gómez apareceu para salvar.

Mas, aos 18, Pablo Maia estava livre como não podia pela desatenta marcação alviverde em todo o campo em todo o segundo tempo. Como na decisão do SP-21, no segundo jogo no Morumbi, o primeiro volante tricolor Luan chutou uma bola que desviou em Felipe Melo e tirou Wéverton do lance; desta vez, o excelente primeiro volante do São Paulo chutou a bola forte que ele bem sabe que bateu em Murilo e tirou de novo o goleiro palmeirense da jogada. 2 a 0.

Só então o Palmeiras se atirou mais à frente. Veron e Wesley entraram nos cantos nos lugares de Dudu e Scarpa, aos 24. Rogério apostou na velocidade de Marquinhos no contragolpe no lugar do esforçado Eder. Pouco mudou. Aos 28, Atuesta x Zé Rafael, Nikão x Alisson. Igual. E o São Paulo melhor.

Tricolor mais vivo e perigoso nos contragolpes, Verdão lento e pouco criativo. Um com fome de bola, outro que parecia enfastiado. O 2 a 0, apesar da polêmica do primeiro gol, mais do que se justificou pelo segundo tempo no Morumbi.

E o 3 a 0 não foi absurdo, quando Nikão bateu escanteio no primeiro pau, Igor Gomes desviou para o segundo onde o artilheiro dos clássicos Calleri superou Wesley e chapou a bola, aos 35. Um 3 a 0 que parecia impossível para qualquer lado antes do Choque-Rei. Ainda mais contra um um time que tinha sofrido apenas quatro gols em todo o torneio.

Mas, como diz a canção, toca por Calleri, Igor Gomes, que é 3 a 0.

O retumbante e inesperado placar no Morumbi praticamente encaminhava o bi paulista tricolor contra um Verdão nas cordas. Ou querendo jogar a toalha. O favoritismo inegável pela melhor campanha de um time melhor, com mais opções, e há mais tempo bem treinado, mudava de lado e de cores em menos de 40 minutos desde o primeiro gol.

Até Raphael Veiga encher a canhota da direita numa falta. A bola tocou no Calleri - que é gol. Desta vez contra o São Paulo, na infelicidade do goleador se atirar na pelota que bateu no joelho e tirou Jandrei do lance. 1 a 3 Palmeiras, aos 38.

Se o time de Abel não voltou ao jogo, ao menos retornou ao campeonato. O que parecia impossível se repetir na finalissíma no Allianz Parque agora é “apenas” difícil. Fazer dois gols de diferença e levar aos pênaltis que têm sido infelizes para o Palmeiras.

É do jogo, é do clássico, e tem sido desse Palmeiras. A questão é fazer tudo isso já no domingo, contra um São Paulo que voltou a pensar e ser grande em campo.

Um Tricolor que, desde 1972, venceu 14 dos 18 confrontos eliminatórios contra o Palmeiras que venceu apenas 4 desses 34 jogos.

Fácil não será para a melhor campanha do SP-22. Mas o que parecia impossível voltou a ser viável com o gol de Veiga. E com o provável tranco que esse Palmeiras sentiu de um São Paulo que se superou. Ou voltou a ser o que é. E pode se manter assim numa casa onde usualmente se dá mal - mesmo que lá dentro tenha se classificado nos pênaltios, na semifinal do SP-19.

Se eu dava 55% x 45% de favoritismo para o Palmeiras antes de a bola rolar, agora vou de 51% a 49% para o São Paulo.

Muro Beting? Certamente. 

Mas isso é futebol, amigo. Assim como o Palmeiras já não tinha "conquistado" o SP-22 antes do primeiro Choque-Rei, ele não perdeu o título antes da volta. Onde tudo pode ter mesmo volta.

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