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Morte de Maradona aponta hipótese de possível homicídio culposo

Leopoldo Luque, médico particular do ex-jogador, é o alvo da investigação por possíveis irregularidades na internação domiciliar realizada

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Por Redação Esporte Interativo

Maradona e Luque, médico responsável pela última cirurgia feita no ex-jogador

Maradona e Luque, médico responsável pela última cirurgia feita no ex-jogador

A morte de Maradona que aconteceu na última quarta-feira (25) ainda tem gerado muita repercussão e novos questionamentos. Segundo divulgado pelo jornal argentino 'La Nacion', a Justiça ordenou investigações a Leopoldo Luque, médico particular do ex-jogador, sob hipótese de ser responsabilizado por um homicidio culposo. 

O motivo pela investigação seria as possíveis irregularidades realizadas no cuidado domiciliar feito ao ídolo do país sul-americano.

 Se forem constatadas as irregularidades na internação de Maradona, pode ser crime de homicídio culposo", relataram fontes ligadas ao jornal da Argentina.  

Luque foi responsável pelo tratamento de Maradona nos últimos dias de vida do craque que era conhecido pelo apelido 'D10S'. Após as primeiras investigações do Ministério Público, que ouviu as filhas de Diego e realizou buscas no consultório e casa do médico, sob autorização do juiz Orlando Díaz, o caso será analisado para possíveis conclusões que poderão punir o responsável pelos cuidados ao ex-jogador.

Médico se defende

Após a investigação vir à tona e Luque ter ser pertences apreendidos, como cinco celulares e os prontuários médicos, o responsável pelos cuidados de Maradona concedeu uma entrevista coletiva para apresentar sua versão do caso.

Objetos apreendidos na clínica de Leopoldo Luque. Imagem: Reprodução/Internet

Segundo Leopoldo, ele ainda não foi informado formalmente das acusações.

"Vieram de uma forma que ninguém esperava, depois de trabalhar como eu fiz para o Diego. Abrimos as portas e demos a eles todas as informações de que precisavam", comentou o médico. 

Em complemento, Luque disse que quando Diego faleceu, chegou ao local e o Ministério Público estava trabalhando. São trâmites legais que ele desconhece e, por isso, não irá. Defendeu-se dizendo que sabe como trabalho e que isso foi legal e poderá provar".

"Eles me chamam de médico de família e eu era neurocirurgião. Diego odiava médicos, odiava psicólogos, odiava todo mundo ... em termos de saúde. Comigo foi diferente, porque eu era genuíno e não estava procurando uma foto".

"O que fiz foi mais, não menos"

A respeito de sua relação com o paciente, o profissional argentino acrescentou:

"O Diego foi muito difícil e ele me expulsou muitas vezes da casa dele, mas aí ele me ligou. Fiz sugestões que ele aceitava ou não. Eu o acompanhava, era assim que funcionava. O resto das coisas que eles falam são bobagens que estragam a memória dele. Diego sabia quem eu era. Aquela luta que dizem foi uma luta comum como as que sempre tivemos, onde ele me jogou e depois voltou. Tudo o que fiz foi mais, não menos".

As condições de Maradona

Luque relatou que as condições de Diego eram perfeitas e que nada poderia ser feito sem o consentimento do ex-atleta.

A parte neurológica já estava lá, o controle era perfeito. Também não tomava álcool, e os medicamentos eram autorizados pela equipe psiquiátrica. Todos nós nos reunimos para ver o que era melhor para Maradona. O que precisamos é de sua vontade, porque sem Diego nada poderia ser feito. Por que eles não descobrem quem era Diego? Não existem critérios que possamos seguir sem o seu consentimento "

"Não há erro médico e nem de critério"

No fim da entrevista, o neurologista foi enfático em suas palavras dizendo que de forma alguma ocorreu erro médico. E que a morte de Diego Armando Maradona se deu por uma causa comum.

"Não há erro médico, nem erro de critério. Maradona teve um infarto, que é a coisa mais comum no mundo que se morre assim. É um fato que pode acontecer. Sempre se fez todo o possível para diminuir essa chance, mas não para bloqueá-la

E ainda concluiu dizendo que não havia a possibilidade de impor nada ao ídolo argentino.

"Você não podia lidar com nada com Diego. As coisas não eram impostas a ele, ele fazia o que queria. Sinto-me responsável por amá-lo, por cuidar dele, por estender sua vida e melhorá-la até o fim. Quando falaram que ele estava dopado, o Diego me disse 'e você dá bola pra eles? São os idiotas que sobram'".

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