Futebol Brasileiro

Atlético-MG conta com parceiros para fazer contratações após paralisação do futebol e garante curso normal de obras da nova casa

Diretoria também vive expectativa de alcançar "o maior crescimento de engajamento e conversão de novos sócios de todos os clubes da série A" com projeto 'Galo na Veia'
 

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Por Rodrigo Fragoso e Mauro Beting

Atlético pleneja o maior crescimento de sócios-torcedores entre clubes brasileiros(Pedro Souza/Atlético-MG)

Atlético pleneja o maior crescimento de sócios-torcedores entre clubes brasileiros | Pedro Souza/Atlético-MG

O Atlético Mineiro abriu duas frentes de investimento em 2020.  Acelerar as obras do novo estádio e remontar e reforçar elenco e comissão técnica. 

A nova arena vai muito bem, também porque tocada por parceiros que não comprometem financeiramente o clube. A aposta no treinador venezuelano Rafael Dudamel não passou de 10 jogos e eliminações precoces na Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. 

O que já não era barato ficou ainda mais caro com a chegada do treinador argentino Jorge Sampaoli. Mostrando ao mercado mais uma vez um perfil ousado e investidor. O que demanda o dinheiro que agora vai faltar pra todo mundo. 

O superintendente financeiro e de orçamento do Atlético desde fevereiro de 2019 é Rodrigo Messano. Há mais de 20 anos trabalhando como administrador e gestor, ele fala a respeito dos efeitos da pandemia no planejamento atleticano. 

ESPORTE INTERATIVO - O Atlético precisa pagar a multa contratual de Dudamel, além de ter acertado com Jorge Sampaoli, que é um investimento alyo. De que forma a paralisação impacta nesse planejamento?

RODRIGO MESSANO - Impacta muito, claro. Os impactos da pandemia nos times de futebol são enormes. O fluxo de caixa é apertado. Qualquer alteração gera impacto. Imagina agora sem bilheteria e com reduções nas diversas outras áreas de receita, como sócio-torcedor, royalties, clube social e outras fontes. Estamos ajustando, buscando renegociar tudo neste momento.  


EI - As eliminações precoces nas competições de mata-mata de que modo impactam o planejamento? Quanto o torcedor e o sócio-torcedor precisam ajudar para minimizar o prejuízo?


RODRIGO MESSANO - Quando fizemos o orçamento 2020 desenhamos alguns cenários, e buscamos seguir o mais conservador. Claro que não esperávamos sair tão precocemente, e isto nos fez reajustar ainda mais o fluxo de caixa para podermos cumprir com o orçamento. O sócio-torcedor do Atlético sempre foi ativo, participativo em todos os momentos. E este agora não está sendo diferente. Estamos com alguns novos projetos que em breve irão alavancar ainda mais esta relação do Galo com os sócios-torcedores. Lançamos recentemente o novo programa para sócios Galo na Veia, com um modelo comercial muito mais aderente ao perfil da massa atleticana e com uma série de vantagens e benefícios que ainda não foram lançados e explorados, por conta da pandemia. Mas entendemos que o Galo na Veia certamente irá redefinir o conceito de pertencimento que move uma torcida. Em breve teremos uma grande aproximação com a torcida de forma ágil, constante, em vários canais de contato, e com a cara do torcedor. Seguramente teremos em breve o maior crescimento de engajamento e conversão de novos sócios de todos os clubes da série A, mas garanto que não será apenas pra fazer volume ou com preços meramente promocionais. Temos um processo pautado em produto que vai fidelizar realmente cada torcedor do Galo.

Seguramente teremos em breve o maior crescimento de engajamento e conversão de novos sócios de todos os clubes da série A".

ESPORTE INTERATIVO - Há conversas em andamento com patrocinadores para melhorar as condições de repasse de dinheiro, há patrocinadores que querem suspender o repasse por um determinado período para alguns clubes? O Galo calcula quanto de prejuízo em relação aos acordos firmados com os patrocinadores antes da pandemia?


RODRIGO MESSANO - Neste momento estão todos buscando adequar ou, na verdade, minimizar as perdas. E claro, a relação com patrocínio passa por isso. Para o CAM não seria diferente, porém nossos contratos de patrocínio são parcerias e estamos buscando em conjunto a adequação. Estamos até o momento tendo bastante sucesso, pois não temos rescisão, temos uma suspensão  temporária sem perda do valor global do contrato.


ESPORTE INTERATIVO - A Arena MRV teve seu passo da terraplanagem dado nessa semana.  A obra foi orçada inicialmente em R$ 410 milhões, sem contar o valor de R$ 50 milhões do terreno. Para viabilizar o estádio, o Galo negociou 50,1% do shopping Diamond Mall para a Multiplan por R$ 250 milhões. Com correções monetárias de quase 20%, a quantia chegou a R$ 296,8 milhões em janeiro de 2020. Os R$ 160 milhões restantes serão obtidos por meio de naming rights com a própria MRV (R$ 60 milhões) e venda de cadeiras cativas - R$ 100 milhões, com 60% já garantidos pelo banco BMG. Todas essas partes envolvidas nesses valores manifestaram que cumprirão os acordos? Há  alguma preocupação em relação a alguma das partes voltar atrás ou não conseguir pagar?


RODRIGO MESSANO -  Nenhuma preocupação. O projeto da Arena é separado do dia a dia do clube. Funding diferente e exclusivo para o novo estádio. Nossos parceiros estão 110% comprometidos com o projeto.

EI - O Atlético acha possível reforçar seu elenco ainda nessa temporada? Já houve redução salarial, troca de treinador, patrocinadores em renegociação, mas também já se ouviu falar em Lucas Veríssimo, Mariano... Como é possível (se for possível) contratar em meio a pandemia?


RODRIGO MESSANO - . Possível sim, mas através sim dos nossos parceiros. O clube e seus parceiros estão antenados, e farão qualquer movimento com muita responsabilidade neste momento.

Divulgação/Atlético-MG
Atlético já iniciou obras de sua nova arena

CORTES SALARIAIS SERÃO FUNDAMENTAIS

Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria (especializada em esportes), vê o Atlético como um clube que tem prejuízos financeiros em sequência. "É quase como chuva de verão. Você sabe que virá". Como todo clube, como qualquer associação, vai sofrer. Também no pay-per-view deverá haver uma queda acentuada. "O clube que renegociar melhor todos os contratos, inclusive com seus jogadores, se sairá melhor. Os salários mais altos terão que ser reajustados. Cortar 25% por dois meses é paliativo". 

Quanto à nova arena, "até agora a operação não está tão cara. O problema é que a taxa  de retorno de um estádio normalmente é muito baixa. Algumas projeções de receitas me parecem muito otimistas. Mas isso é lá pra frente. Claro que o clube será beneficiado com tudo isso, até porque o clube não precisa investir no estádio, já que é basicamente uma parceria. Por outro lado, o que tinha de receita e patrimônio do Shopping Diamond já não tem mais".  

A maior questão agora é equacionar a folha salarial. "O clube precisa entrar no eixo da responsabilidade financeira. Problema agora é o peso financeiro dos salários. O elenco já não era barato e ficou mais caro ainda com o Jorge Sampaoli e sua comissão técnica".

VOLTA AOS TREINOS

O Atlético-MG não trabalha com nenhuma previsão de retorno aos treinos (ao menos fisicamente). O que o clube tem feito é passar uma série de exercícios recomendados para os atletas realizarem em suas respectivas residências. As atividades dos atletas, no entanto, ainda não contam com acompanhamento do preparador físico do clube.

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