Futebol Brasileiro

Menino de coração aberto: Gabriel revela todos os bastidores da sua volta por cima no Palmeiras

Medo de deixar o clube, vídeo de Guardiola, reunião com a direção, conversa com o pai... Confira como Menino retomou a confiança no Palmeiras

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Por Rodrigo Fragoso e Priscila Senhorães

Gabriel Menino volta a ganhar espaço no Palmeiras(Eduardo Carmim/Photo Premium/Gazeta Press)

Gabriel Menino volta a ganhar espaço no Palmeiras | Eduardo Carmim/Photo Premium/Gazeta Press

Ele nasceu menino de Morungaba e hoje é o Menino do Palmeiras. Mas temeu deixar de ser, sabia? Gabriel, de 21 anos, sentiu medo ao ver Patrick de Paula e Renan, companheiros da mesma geração de base, deixando o clube. Não era o destino que ele queria pra si. Também não era desejo de Abel Ferreira ver a sua saída. O técnico ‘paizão’, segundo Menino, não o deixou de lado deprimido e se utilizou de um vídeo do Guardiola para levantar a sua cabeça. 

Lateral, volante, ponta? Menino deixou essas dúvidas no passado depois de uma conversa reveladora com seu pai, Paulo. Aliás, conversa que a própria diretoria do Palmeiras teve com ele recentemente, deixando claro que não quer contratar ninguém para a sua posição. Quer Gabriel. Porém, não mais um menino. Quer mesmo o Menino que ganhou muito no Palmeiras, mas como se nada tivesse ganho. E ele garante que está assim. Confira nesse papo exclusivo e de coração aberto com a TNT Sports os bastidores desse período de reflexão, reconstrução e caminhada de Gabriel Menino em busca de uma nova oportunidade com Abel Ferreira.

Rodrigo Fragoso: Menino, o torcedor do Palmeiras tem um carinho enorme por você e sentiu sua falta nesse período de poucas chances. Gostaria que você fizesse uma reflexão e contasse o que foi esse período pra você.

Gabriel Menino:  Na vida, a gente tem muito altos e baixos. Acho que umas lesões me atrapalharam um pouquinho e eu saí do foco. Achei que não ia me prejudicar tanto quanto fui prejudicado. Perdi espaço no time, cheguei a ser quarta opção de volante e terceira de lateral e isso foi me deixando pra baixo, deprimido, fui desanimando e fui perdendo também pra mim mesmo. Pensei em várias coisas, como eu poderia dar a volta por cima.

Um dia o Abel sentou comigo e me mostrou um vídeo do Pep Guardiola falando com o Foden. Ele falava que a vida tem um gráfico de altos e baixos e quando o jogador chega embaixo, quando ele é pica de verdade, ele tenta voltar o mais rápido possível pro alto.

Isso deu um alerta na minha cabeça. Só dependia de mim! Eu tinha confiança do Palmeiras e da comissão técnica, coloquei isso na minha cabeça. Família me ajudou muito, meus empresários, Deus e isso me deixou com vontade de jogar e vestir essa camisa. É o maior do Brasil! Falei uma vez que se um dia for pra eu sair daqui pra outro time, eu quero sair com uma historia bonita e talvez como ídolo.

Rodrigo Fragoso: Você falou que pensou em várias coisas nesse período ruim. Você viu Patrick de Paula e Renan, por exemplo, deixarem o elenco. Garotos da sua geração. Você temeu ter o mesmo destino?

Gabriel Menino: Com certeza! Foi um dos primeiros alertas que tive. E aí eu falei pra mim mesmo que eu tinha que acordar. Comecei a trabalhar forte, eu vinha melhorando nos treinos, dava meu máximo e a oportunidade não chegava. Então esse medo foi batendo. Um dia até falei para os meus companheiros e o mundo conspirou a meu favor, né? Danilo e Atuesta foram convocados e surgiu uma oportunidade. Eu coloquei a cabeça no lugar. O Willian, que está no Fluminense, conversava muito comigo que quando eu sair do portão do CT pra fora, vai estar a mesma coisa sempre: Mulherada, gente querendo se aproximar e se aproveitar de você. Mas o que está dentro do CT é pra poucas pessoas e por pouco tempo, então tem que se dedicar ao máximo pra ver o quanto vamos evoluir. Foi um dos caras que me ajudou muito. Raphael Veiga também. Nem preciso falar dos moleques da base porque estou sempre junto com eles. E é agradecer a comissão técnica de novo por confiar em mim e me dar uma nova oportunidade.

Luiz Erbes/Agif/Gazeta Press

Rodrigo Fragoso: Você nos revelou a conversa com o Abel quando estava mal. Agora conte como foi o momento em que soube que finalmente as oportunidades voltariam a acontecer. Houve uma conversa?

Gabriel Menino: Sim, sim. Foi uma conversa com o Anderson Barros (diretor de futebol) e o Cícero Sousa (gerente de futebol). Eles chegaram em mim e falaram que sabiam que eu estava treinando bem e que tinha chegado a grande oportunidade, aí eles brincaram que esperavam não precisar contratar outro volante pro Palmeiras (risadas), então era pra eu voltar a jogar e ser melhor, porque não querem contratar ninguém pro meu lugar. Disseram que o que temos no Palmeiras é suficiente pra comissão técnica e para o que o clube pensa. Então eu falei:

'Pode deixar comigo. Eu dou conta do recado'. Estou dando e daqui é só pra cima!

Rodrigo Fragoso: Dá pra ver a alegria nos teus olhos enquanto conta sobre essa volta por cima. Quero saber agora o quanto aquele gol em Caxias do Sul, contra o Juventude, mexeu com o seu coração.

Gabriel Menino: Nossa... Na hora eu não entendi se seria um gol meu, porque o Danilo passou muito perto da bola e ele está com a bunda virada pra lua, né! A gente senta próximo no vestiário, aí eu falei 'Caraca mano, passou muito perto, se você pega na bola eu te mato' (risadas). Aquele gol me deu um alívio, pensei que agora a confiança estava voltando. Eu estou podendo mostrar meu futebol e ser feliz na minha casa, onde tenho o prazer e a emoção de jogar com essa camisa e por esse clube.

Rodrigo Fragoso: E seu posicionamento em campo, Gabriel? Você é meio-campista de origem, mas foi convocado para a Seleção Brasileira como lateral. Nesse período ruim, refletiu sobre como vai lidar com essa versatilidade? Pensou se vai definir se fixar em alguma? Conversou com o Abel Ferreira?

Gabriel Menino: Essa coisa do posicionamento me deixou pior quando eu estava pra baixo, porque eu me apeguei nisso. Como vou mostrar meu futebol se não estou na minha posição? Eu ficava pensando nisso. Um dia meu pai sentou comigo e eu falei pra ele isso que estou te falando, aí ele disse o seguinte:

'Deixa eu te lembrar uma coisa, tu foi Seleção como lateral, jogou Libertadores e Mundial como ponta, seu primeiro ano de profissional você conseguiu tudo isso, e agora tu vai ficar reclamando da posição que tu joga? 

Isso bateu na minha cabeça, aí eu falei: 'Caraca, realmente, é só entrar e jogar, não importa onde seja, a primeira coisa é entrar e ser feliz porque é meu trabalho. Quando eu vou treinar e jogar, é o meu trabalho. Tenho que dar meu melhor para conseguir meus objetivos. Eu pequei nisso no ano passado e estou consertando. Não importa onde esteja, se for pra jogar no lugar do Weverton eu vou bem também! Já joguei rachão de goleiro até na Seleção (risadas).

Rodrigo Fragoso: Agora eu queria saber o que significou o Abel Ferreira nesse teu momento. Tem técnicos que são líderes mais distantes, pragmáticos, enquanto outros são mais afetivos, na gíria do futebol dizemos que é mais 'paizão'. Quem é o Abel para o Gabriel Menino? 

Gabriel Menino: Ele puxou a minha orelha nesses últimos tempos (risadas). Ele é um cara paizão e está longe da família dele, né? Ele cita muito isso de 'Família Palmeiras' porque, querendo ou não, a gente vive mais junto com ele do que com nossa própria família. Passo quase o dia todo no CT e ele também. A gente chega umas 9h e sai de lá só umas 17h. Somos muito próximos e ele paga churrasco direto pra gente. Aliás, ele está devendo mais um porque classificamos invictos de novo! É um paizão, um cara muito feliz, inteligente e que quer ajudar o próximo.

Rodrigo Fragoso: Essa comissão técnica fala muito em jogadores que estejam com fome. Você já ganhou muita coisa no Palmeiras, mas ainda tem 21 anos. Essa fome aí está em você?

Gabriel Menino: Eu quero ganhar tudo, tudo mesmo. O que eu mais sonho é com o Mundial. Infelizmente fiquei fora desse. Meu objetivo maior é Libertadores e Mundial, mas vamos brigar por tudo. Perdemos a Copa do Brasil ano passado e esse ano falamos 'Não. Esse ano nós vamos ganhar'. E o Brasileirão é meu sonho desde criança também. Minha fome está como se fosse meu primeiro ano como profissional. O grupo está com fome igual a minha. O Abel usa muito uma frase que é 'Não é o que queremos fazer, é o que precisa ser feito para ganhar'. A gente vai fazer o que precisa ser feito pra ganhar e estarmos bem em todas as competições.

Rodrigo Fragoso: Pra voltar a confiança de vez, tem algum gol que você deseja fazer? O Rony está tentando gols de bicicleta, o Scarpa quer um gol olímpico. E você?

Gabriel Menino: Sempre treinei falta, e meu objetivo é sair meu gol de falta. Aí que volta minha confiança 100%! Estou esperando ele e tenho certeza que vai sair.

Alexandre Neto/Photopress/Gazeta Press
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