Futebol Brasileiro

Para além dos campos, final da Libertadores une as histórias de Arrascaeta e Piquerez

Nossa reportagem foi até o estádio do Defensor Sporting, no Uruguai, para conversar com Cantera, ex-treinador dos dois jogadores; ele relembrou a chegada dos atletas ainda meninos ao clube e fez revelações sobre a relação com eles

Arrascaeta e Piquerez durante partida pelo Brasileirão 2021(Getty Images)

Arrascaeta e Piquerez durante partida pelo Brasileirão 2021 | Getty Images

Para além das ocorrências factuais que envolvem a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, a partida também une duas histórias de titulares dos dois times: Giorgian de Arrascaeta e Joaquín Piquerez. Nossa reportagem foi até o Estádio Luis Franzini, do Defensor Sporting, clube que os revelou, para traçar o ponto de encontro entre os dois jogadores. 

Estádio Luis Franzini, do Defensor Sporting | Foto: TNT Sports

Histórias cruzadas

Arrascaeta, hoje com 27 anos, participou das categorias de base do Defensor até 2012, quando chegou ao time profissional. Por lá, ele passou três anos, até vir para o Brasil, em 2015, jogar pelo Cruzeiro. Já Piquerez, atualmente com 23 anos, chegou à equipe profissional do clube em 2017. Após dois anos, foi para o River Plate, depois para o Peñarol, até enfim chegar ao Palmeiras.

Apesar da diferença de cinco anos entre a ascensão deles ao elenco principal do Defensor, e também das passagens por clubes distintos, ambos tiveram Heber Silva Cantera como treinador nas bases do clube. Hoje com 63 anos, ele já está no clube há 35 e carrega a faixa de jogador com mais partidas e mais títulos pelo time uruguaio. "Fui um jogador agressivo, jogava como volante central, número 5", definiu-se em conversa exclusiva à nossa reportagem. 

 

Arrascaeta, tímido?

Cantera relembrou que Arrasca chegou muito novo ao Defensor, que é um clube situado em Montevidéu. O meia rubro-negro é nascido em Nuevo Berlín, uma cidade distante da capital uruguaia. Assim, o processo de adaptação não foi fácil pois, além de ser um menino, ele também precisou ficar longe do lugar onde cresceu.

Ele chegou aqui muito novo, foi muito difícil pra ele. Mostrava muito talento, mas queria voltar à cidade dele, em Nuevo Berlín. No segundo ano, já melhorou muito, estava mais atraído, mais animado em jogar, melhorou a parte física", recorda o treinador.

Arrascaeta em ação pelo Defensor, pela Libertadores 2014 | Foto: Dante Fernandez/Getty Images

Considerado "tímido" por algumas pessoas, Cantera revelou que o jogador era mesmo retraído quando criança. "Tínhamos uma boa relação, mas ele era mais tímido, não falava muito, porém sabíamos que tinha muito talento", conta. Apesar disso, ele acrescenta que o importante é mostrar dentro de campo e ressalta a qualidade do jogador:

Ele precisa mostrar futebolisticamente, é dentro do campo que ele mostra toda a energia dele. Sempre soubemos que ele tinha um talento muito difícil de encontrar."

Piquerez, da volância à lateral

Ao contrário de Arrascaeta, Piquerez é nascido em Montevidéu, assim, a adaptação dele ao clube foi mais fácil. "Chegou aqui muito novo, mas teve uma adaptação muito melhor, porque ele é daqui de Montevidéu, conhecia todos os colegas." O treinador revela que o lateral iniciou como volante nas categorias de base, mas acabou mudando de posição. 

Ele começou como volante, mas sempre buscou o melhor rendimento, e tornou-se um lateral mais ofensivo, porque chega bem ao ataque e tem uma boa definição."

Piquerez em ação pelo Defensor durante Libertadores de 2019 | Foto: Rodrigo Buendia/AFP via Getty Images

Entre os apaixonados por futebol, ambos parecem ser bastante conhecidos, mas o treinador ressalta a importância da passagem de Piquerez pelo Peñarol para que ele ganhasse uma visibilidade maior no país:

Muita gente que não o conhecia futebolisticamente, passou a conhecê-lo pela seleção e pelo Peñarol, pela dimensão que tem o Peñarol."

Do mesmo lugar, em lados opostos

As histórias de Arrascaeta e Piquerez irão se cruzar mais uma vez. Os dois jogadores que vestem a mesma camisa pela seleção uruguaia, hoje, estarão em lados opostos, defendendo cores diferentes. Não há dúvidas de que o treinador que os formou estará acompanhando-os. Assim como milhões de torcedores de Flamengo e Palmeiras. Embora conectados pelo passado, no presente, apenas um deles irá triunfar nesta tarde (27), no Estádio Centenário.

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