Olimpíadas

'É do hotel pro ônibus, do ônibus pro campo, do campo e volta', médico da Seleção feminina fala sobre rotina e preparação em Tóquio

 Nemi Sabeh Junior conversou com a TNT Sports sobre as estratégias para os Jogos Olímpicos

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Por Ludmilla Florencio, Tayna Fiori, Duda Ribeiro, Giulia Soares

 Nemi Sabeh Junior é médico do esporte( Nemi Sabeh Junior)

 Nemi Sabeh Junior é médico do esporte |  Nemi Sabeh Junior

As meninas da Seleção completaram oito dias no Japão e já fizeram a estreia com cinco gols contra a China, além de terem empatado em 3 a 3 com as holandesas. Nesse momento, o maior desafio é manter toda a equipe preparada, com saúde e bem longe dos casos positivos de Covid-19, já registrados no evento.

Em entrevista exclusiva para a TNT Sports, o médico da Seleção feminina, Nemi Sabeh Junior, falou sobre isso. Segundo ele, as infecções não acontecem na Vila Olímpica ou nos hotéis. Atletas chegaram a Tóquio já infectados. 

“É muito comum que a pessoa pegue a infecção e os testes de diagnóstico não deem positivo, principalmente nos primeiros três a cinco dias do contágio. Quando o atleta ou a pessoa contaminada sai do país dele e chega no Japão, pode ser que todos os testes estejam negativos. Mas, no quinto dia ele teste positivo”.

Antes de irem para os Jogos, Bruna Benites e Erika chegaram a contrair a Covid-19 e precisaram passar por uma avaliação clínica completa para retornarem aos campos, incluindo exames cardiológicos. Mas, agora, todas estão bem e com o mesmo rendimento de antes. 

Dentro das áreas de responsabilidade do Comitê Olímpico, os cuidados são ainda maiores. Nemi contou para a TNT que todos as atletas e membros da comissão ficam protegidos “dentro de uma bolha”, no hotel.

A equipe tem acesso a um andar e apenas um elevador pode ser utilizado, Ninguém pode sair do hotel e nem circular em outras áreas (jardim, piscina…). São feitos testes de Covid-19 diariamente. Toda a equipe foi vacinada. Todos os funcionários do hotel utilizam máscara o tempo inteiro. Os quartos são higienizados todas as vezes que ficam desocupados. 

É do hotel pro ônibus, do ônibus pro campo, do campo e volta”.

Uma lesão grave na maior competição esportiva do planeta é outro fantasma que assombra a preparação das atletas. Nemi trabalha em conjunto com a técnica Pia Sundhage para evitar qualquer sobrecarga.

Existe também um questionário, da equipe de fisiologia, onde as atletas respondem perguntas que podem indicar certas condições, como a cor e densidade da urina ou possíveis dores.


“A Pia avalia a fisiologia, a preparação física, a parte médica, a análise do desempenho e monta, diante disso, os treinos, a intensidade de treino, se vai tirar alguma atleta ou não... essa é a gerência dela em relação a todas os atletas e o ganho de performance através dos treinos.”

O trabalho de aumento de performance com a Seleção começou muito antes. A comissão técnica e a equipe médica estudaram as atletas por muito tempo e vários dados de interação entre as áreas foram analisados. 

O time passou 20 dias treinando em Portland, nos Estados Unidos, como uma tentativa de diminuir o impacto da mudança de fuso-horário do outro lado do mundo. As altas temperaturas do período em Portland também foram uma preparação para os dias quentes do Japão.

Mesmo as atletas que já moram no Brasil e estão acostumadas com o clima passaram pelo período de adaptação. Nemi falou que esse foi o diferencial do grupo:

“Essa foi a grande sacada, né? Nós fizemos uma programação de levar a delegação para oeste. Então nós iríamos ficar mais perto do horário de Tóquio. Nós fizemos depois um voo de Portland para Tóquio e usamos uma proteína chamada melatonina, que também induz ao sono e todo mundo dormia exatamente no horário da noite em Tóquio”.

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