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Nova hegemonia italiana? A Inter de Milão tem tudo para conseguir

Pode parecer exagero, mas a Inter tem, hoje, um dos dois melhores elencos da Itália e um técnico muito melhor que o da Juventus, por exemplo

Por Gabriel Menezes

Vidal, Lautaro, Lukaku, Hakimi e De Vrij: tirando o chileno, todos titulares e fundamentais na conquista(Getty Images)

Vidal, Lautaro, Lukaku, Hakimi e De Vrij: tirando o chileno, todos titulares e fundamentais na conquista | Getty Images

A hegemonia da Juventus, que tinha vencido os últimos nove títulos do Campeonato Italiano, foi quebrada: a Internazionale é campeã italiana na temporada 2020/21, depois de acompanhar o empate da Atalanta em 1x1 com o Sassuolo. E essa cena pode se repetir pelos próximos anos.

Explico: o elenco da Internazionale é, hoje, o melhor da Itália. Apenas o da Juventus pode ser colocado na mesma prateleira. A diferença entre os dois está no banco de reservas: Antonio Conte é muito mais treinador do que Andrea Pirlo, que acabou de fazer sua primeira temporada atuando fora dos gramados.

 
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Antonio Conte, já multicampeão, é um dos motivos pelos quais acredito que a Inter de Milão pode garantir mais títulos do Campeonato Italiano nas próximas temporadas. 

Antonio Conte: quando o treinador faz total diferença

A Internazionale vinha de anos amargando uma mediocridade. Conte chegou na temporada passada e levou o time, de cara, ao vice-campeonato da Serie A. O agora tetracampeão do torneio conseguiu seu 5º título de primeira divisão (tem um da Premier League com o Chelsea) e segue fazendo história.

Conte conseguiu encaixar o time da Inter como Luciano Spalletti, seu antecessor, não havia conseguido. O elenco foi reforçado, claro, mas a base já estava lá na temporada 2018/19, quando os nerazzurri terminaram na 4ª colocação: Handanovic, Skriniar, Brozovic e Lautaro já eram da Inter nesse momento.

Faltava o comandante (e outra peça fundamental, que vocês certamente já perceberam quem é, mas falaremos já já). Conte foi esse cara e elevou as atuações da Inter a outro nível, realmente. O time é extremamente coeso, tem uma identidade de futebol muito interessante e, além de ter bons resultados, mostra um futebol vistoso, nada modorrento.

A Inter de Conte é um time que vence e dá gosto de ver jogar, por ser extremamente ofensivo (provando que jogar com três zagueiros não é sinônimo de retranca) e defender bem: não à toa, a equipe tem o 2º melhor ataque da Serie A (atrás apenas da Atalanta) e a melhor defesa (só 29 gols sofridos em 34 jogos). Um espetáculo.

Antonio Conte vibra com a vitória no Derby contra o Milan (Foto: Getty Images)

O elenco é forte e ainda é bastante jovem, o que dá força para a Inter seguir vencendo

Muito se fala de que um dos segredos do futebol é promover a mescla entre jogadores experientes e jovens promessas. A Inter fez isso bem demais. Um exemplo claro: Handanovic, capitão e goleiro titular, tem 36 anos. Nicolò Barella, também titular absoluto - e o melhor meio-campista do Italiano - tem só 24 anos, recém-completos (fez aniversário em fevereiro). Lautaro Martínez tem só 23 anos.

(No vídeo abaixo, duas promessas-realidades da Inter: Bastoni lança e Barella marca).

 
Bastoni acha lançamento espetacular para Barella, que amplia para a Internazionale

Por isso, é possível cravar que a Internazionale tem uma espinha dorsal excelente para os próximos anos. Confere comigo o time-base da Inter em 20/21 e a idade dos jogadores: Handanovic (36); Bastoni (22), De Vrij (29), Skriniar (26); Hakimi (22), Brozovic (28), Barella (24), Eriksen (29), Young (35); Lautaro (23) e Lukaku (27). Perisic (32), Alexis Sánchez (32), Sensi (25), Gagliardini (27) e Vidal (33) também foram importantes.

O time titular só tem dois jogadores acima dos 30 anos de idade. É claro que o clube precisa urgentemente achar um substituto para Handanovic, que já se aproxima do fim de sua carreira (especula-se o nome de Musso, goleiro da Udinese) e um ala pela esquerda, já que Young e Perisic estão ambos acima dos 30 anos. Darmian, outra opção para a posição - de menos qualidade - já tem 31.

O time que conseguiu a vitória contra o Crotone. Darmian (primeiro à esq. em pé) e Sensi (primeiro abaixado) foram os "intrusos" do time titular (Foto: Getty Images)

Christian Eriksen, que mal jogou na primeira metade da temporada, acabou 2020/21 sendo bastante utilizado por Conte. Aos 29, ainda tem lenha para queimar. Caso saia, o clube já tem um substituto dentro do próprio clube: Stefano Sensi, ex-Sassuolo, que ainda não engrenou na Inter (muito por sofrer com lesões desde 2019), mas tem potencial para ser um bom meio-campista a nível de Serie A.

O que a Inter precisa é encorpar seu elenco, tendo mais opções para eventuais lesões e suspensões, que podem acometer qualquer time. Mas a base está aí: ainda jovem e com muita qualidade.

 
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O que pode impedir um domínio da Inter no futebol italiano? O dinheiro

Apesar da grande fase esportiva, a Inter vive problemas financeiros do lado de fora de campo. Segundo o site 'FCInter1908', os jogadores abriram mão de receber qualquer bônus financeiro pelo título italiano, para ajudar o clube que tem dívidas de mais de meio bilhão de libras (R$ 4,1 bilhões).

Segundo a 'Gazzetta dello Sport', o clube está próximo de completar um empréstimo de 250 milhões de euros para ajudar a manter sua liquidez financeira, evitando que essas dívidas cresçam ainda mais.

E é por conta dessa situação financeira que os nerazzurri podem se ver obrigados a vender alguns de seus jogadores mais importantes, como Lukaku (desejado pelo Chelsea) ou Lautaro Martínez (que já esteve na mira do Barcelona). Caso consiga equilibrar as contas sem abrir de mão de suas estrelas e ainda "engordar" o plantel com jogadores de qualidade que possam ser alternativas numa temporada longa, aí podemos cravar: o futuro do clube é brilhante.

 
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